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Aliados demonstram preocupação com atuação de Flávio e Eduardo Bolsonaro no Congresso

BRASÍLIA — O novo
Congresso
foi empossado há apenas dez dias. Neste curto período, parlamentares já perceberam que uma associação será inevitável: tudo o que dizem os filhos do presidente da República, o senador
Flávio Bolsonaro
(PSL-RJ) e o deputado federal
Eduardo Bolsonaro
(PSL-SP), será diretamente relacionado ao governo. Para diminuir os riscos de turbulência, ambos já foram aconselhados por aliados a adotar tom de cautela.

Desde que começou o ano legislativo, ambos são assediados por aliados e pela imprensa. Alvo de uma investigação sobre transações financeiras atípicas, Flávio prefere não abordar o tema.

 

Apesar dos conselhos, na última quarta-feira, depois de ignorar jornalistas durante a semana, Eduardo foi incentivado pela segunda condenação do ex-presidente Lula. Foi ao plenário comemorar. Considerou a extinção do PT e apresentou a ideia de que o pacote do ministro Sergio Moro poderia ser “um termômetro” para a reforma da Previdência. No mesmo dia, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), sinalizou que a reforma é a prioridade.

Um deputado do DEM próximo ao ministro Onyx Lorenzoni criticou o fato de Eduardo ter usado a tribuna para atacar Lula. O parlamentar ponderou que o filho do presidente precisa compreender o papel de quem é governo e trabalhar para pacificar o plenário. Disse ainda que o desejo do governo é que os filhos atuem com discrição para evitar crises na base.

Eleito senador por São Paulo, Major Olímpio (PSL), parlamentar próximo a Eduardo, acredita que a associação com o pai foi intensificada durante a campanha eleitoral. Segundo ele, após o atentado sofrido por Jair Bolsonaro, Eduardo percorreu as ruas representando também o pai.

— Houve uma identificação da população do Eduardo com a figura do Bolsonaro. Aquele negócio de fazer uma selfie, milhares de pessoas acompanhando. Aí explodiu o assédio e a vinculação de ativistas de direita — diz o senador, que participou da campanha.

Olímpio reconhece que a conexão dos filhos com o governo é algo evidente:

— São sabedores de que têm uma influência diferenciada porque estão na intimidade do presidente.

Na confusa eleição para presidência do Senado, durante a primeira votação, Flávio Bolsonaro contrariou seus eleitores ao decidir pelo voto fechado.

Explicações

“Sou a favor do voto aberto, mas nessa ocasião específica, por ser filho do chefe de outro poder, optei por não abrir meu voto, para evitar especulações com intuito de prejudicar o governo. Que o eleito, independentemente de quem for, apoie as pautas que o Brasil necessita”, escreveu no Twitter.

Depois de 82 votos serem contabilizados, em uma Casa com 81 senadores, houve nova votação. Na segunda oportunidade, Flávio mudou de postura e declarou voto no vitorioso Davi Alcolumbre (DEM-AP).

 

Quando foi escolhido para ocupar o cargo de terceiro secretário no Senado, na quarta-feira, houve contestação em plenário sobre o parentesco de Flávio com o presidente da República.

— Não me parece de bom senso na ordem hierárquica, na Mesa do Senado Federal, na Mesa do Congresso, nós termos alguém que tem relação consanguínea direta, vertical, com o chefe do poder Executivo — disse o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

A investigação do Ministério Público do Rio sobre movimentações atípicas preocupa, pois pode atingir o governo. Jair Bolsonaro já se manifestou sobre o caso afirmando que “não é justo atingir um garoto”, já que o caso seria “para tentar atingir” o presidente .

No Congresso, a oposição articula uma CPI para investigar as milícias. Um dos objetivos é apurar a suposta ligação de Flávio com milicianos. O chefe do chamado “escritório do crime” no Rio de Janeiro, capitão Adriano, está foragido e é procurado pelas autoridades do Estado do Rio. Sua mulher e mãe foram empregadas no gabinete de Flávio. Ao escolher o caso, a oposição pretende minar o governo.

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